Stranger Things 2 – Crítica

“Esse final de semana eu não vou nem transar”, disse meu amigo sobre o final de semana passado, o qual estreava a segunda temporada de Stranger Things. Não se falava em outro assunto nos encontros de bar e nas redes socais, que não fosse a estreia da segunda fase dos bagulhos sinistros. Eu mesma posso dizer que assisti a temporada inteira #atenta, sem quase piscar, e sem quase dormir – coisa que quando já se tem 30, acorda-se antes do sol e de quebra ainda tem uma criança cheia de energia dentro de casa, assistir algo até o final, se torna coisa rara…
Ontem fui convidada para gravar o podcast sobre essa segunda temporada. Ao final da gravação me perguntaram “qual a nota que você dá?”. Eu, sem nem disfarçar que poderia apresentar alguma reflexão com qualquer embasamento nerd que se valha sobre o assunto, disse: DEZ!
“Mas dez é uma nota muito alta”, eles disseram.
Mas dez é a minha nota. E eu vou explicar o por quê:

 

1. NOSTALGIA – Esse elemento não poderia deixar de ser o primeiro item a ser citado na minha lista. Eu nasci em 87, uma época que até o final dos anos 90, pouca coisa se mudava em termos de cultura, sociedade e tecnologia. Então mesmo sendo eu do final de uma década e a série uma representação do início, eu posso dizer que vivi sob aquele filtro amarelado e vi de perto aqueles cortes de cabelo – hoje, ora considerados cafonas, ora considerados conceituais pelos ditadores-da-cultura-hipster-contemporânea. As roupas, músicas, móveis, arquitetura, telefone com fio, fliperama, bicicletas, walk-talk, livros que hoje só se encontra sebo, fitas cassete e o comportamento de toda uma geração trazidos de volta (como quando se mexe em um baú velho e empoeirado), é como encontrar um tesouro, que não fazia mais parte de você, mas que você pode ter acesso a ele através dos seus sentidos, que ficam mais aguçados a cada episódio.

2. PERSONAGENS – A gente já viu muitos personagens simpáticos, séries afora. Pessoas fictícias que a gente cria um sonho de amizade platônica, e imagina toda uma vida baseada em conversas como: “e aí Phoebe, vamos na casa do Joey hoje tomar umas?” Mas em Stranger Things estamos falando de um elenco maravilhoso, formado por crianças. Duvido que eu tenha sido a única a ter vontade de adotar o Dustin. Nem que eu fosse como uma irmã mais velha, ou como uma mãe mais nova que dá conselhos desajustados sobre como agir em um baile de natal. Se isso estivesse em cogitação, eu buscaria ele na sexta e devolveria só na segunda pra família biológica. Sem contar a Eleven, Mike, Will, Lucas e a Max. Eles são incríveis e tem uma atuação impecável. Coisa de causar inveja em muita gente que foi tentar a vida em Hollywierd.

3. A MAX – Teve gente que achou a Maxine ‘Madmax’ deslocada no enredo. Eu descordo. Além de ela ter um papel importante como (mais) uma garota no grupo, o papel de Max trouxe temas atuais à tona. Como de gênero e racial. Max é uma garota que mostra que não precisa ser um menino para ser boa no videogame ou no skate. E que ela, como garota pode ser melhor que qualquer um deles nesses quesitos. Max ainda tem uma beleza padrãozinho. É a garotinha ruiva que chama a atenção e os olhares da escola. O que dá a entender em roteiros mais clássicos que deveria se interessar pelo garoto mais popular, porém seus olhos e suas sardas se voltam para Lucas, o garoto nerd, stalker e negro.

4. PERSONAGENS NOVOS (os principais) – Além de Max, a série ganhou outros personagens importantes. ST precisava de um vilão no mundo real. Então veio o Billy. Um cara tão bonito quanto escroto, que malha enquanto fuma um cigarro de filtro vermelho e na sequência vai dar aquela paquerada na mãe do crush. Ele fez bem seu papel e conseguiu irritar não só o Steve como também a gente – que já odeia ele.
Se Billy veio pra irritar, Bob, veio pra ser amado – muito embora todo mundo já imaginava que ele ia morrer. Os irmãos Duffer, criadores da série, haviam planejado sua morte bem antes do momento que ela aconteceu, mas se apegaram tanto ao personagem, que seguraram sua vida quanto puderam – que bom, porque ficou sensacional ele desvendando o mistério que envolvia a temporada. Ele também foi um bom companheiro a Joyce, que até então só tinha imagens de dor e sofrimento.

5. DESENVOLVIMENTO – O desenvolvimento dos personagens da primeira, para a segunda temporada, também foi uma coisa mágica de se ver. De crianças à adolescentes, eles evoluíram e amadureceram junto com a própria série. Quase que como uma espécie de Boyhood, só que com monstros possuidores de crianças no meio da história. A mudança de Steve foi significativa também. De popularzão, namorado da Nancy, e escroto, virou um cara firmeza, que não fazia mais distinção de pessoas e virou best-friend de Dustin – uma das cenas mais legais dessa segunda temporada. Os adultos também não ficaram estáticos. O policial Hopper mostrou todo seu lado paterno e ao mesmo tempo que não deixou de ser aquele cara durão, que volta para pegar o chapéu depois da treta. O Bob suavizou os pontos de tensão com seu carisma e mostrou que não era durão como Hopper, mas que tinha a mesma competência para resolver problemas. Joyce mostrou mais uma vez que passar por doida e se jogar num buraco cheio de demogorgons, não é absolutamente nada, perto do que é a vontade de salvar sua cria.

6. FOTOGRAFIA – Esse é um assunto que eu gosto. Vi muitos críticos elogiando e também achei algo muito prazeroso de se ver. As cenas da Eleven na casa da floresta do policial Hopper foram as minhas preferidas nesse quesito. A iluminação do sol entrando pelas rachaduras de madeira e pelo vidro foram os takes mais diferenciados.
7. TRILHA SONORA – A trilha sonora ficou muito conhecida por essa série. Aliás quando me indicaram disseram “a trilha sonora é sensacional, você vai curtir”. É claro que eu ia. E o mais mágico é que tem música que eu nem conhecia, mas sabia a representatividade dela não só pra época, mas também para a cena que ela foi escolhida para ser parte. Como um encaixe perfeito.

8. O MUNDO INVERTIDO – Que cenário senhoras e senhores. Um mundo como o que você vive, bem abaixo dos seus pés. Porém mais sombrio que a própria realidade. Pra acessar esse role você precisa passar por um portal cheio de gosma preta, que faz barulho de macarronada cheia de molho. Lá você encontra neblina, cinzas caindo do céu e para completar, monstros com fileiras de dentes afiados, além de uma entidade que eu chamei de ‘aranha do mal’, mas fui corrigida pelo nome ‘científico’, o qual já não me lembro mais. O bagulho é sinistro mesmo!

9. CRÍTICAS – A série também recebeu as mais variadas críticas (claro que não foram minhas). Teve gente que não gostou de ver as crianças crescerem. Teve gente que não gostou da fórmula repetida da primeira temporada. Teve gente que não gostou da morte da Miauzinha. Teve gente que odiou o episódio sete. Enfim, eu achei que foi tudo na medida. Achei que rolou mais ação e mais desenvolvimento dos personagens (o que deixou os episódios mais interessantes), e que a fórmula repetida é só mais uma maneira de não se perder do propósito inicial – que era um grupo de crianças, vivendo o início dos 80, em uma cidadezinha, experimentando os prazeres e amarguras de uma complicada mudança de fase, com monstros fodidos no caminho. Em suma é isso.

E são por esses nove motivos que a minha nota para essa segunda temporada é dez e já aguardo ansiosamente 2019, quando é prevista a terceira. Até la já terei 32 anos, menos pique, mais rugas, um processo de adoção de Dustin em andamento e muita curiosidade para ver o rumo que as coisas tomaram em Hawkins.

Um comentário sobre “Stranger Things 2 – Crítica

  1. Todas as temporadas desta historia estão sendo incríveis. O elenco é sensacional, Finn Wolfhard é excelente, recém o vi em It, ele fez um excelente trabalho como Richie. It: A Coisa, ele fez um excelente trabalho como Richie. It: A coisa é a minha história favorita de Stephen King, acho que o novo Pennywise é muito mais escuro e mais assustador, Bill Skarsgård é o indicado para interpretar o palhaço. Os filmes de terror são meus preferidos, evolucionaram com melhores efeitos visuais e tratam de se superar a eles mesmos. Aqui deixo os horários da estréia: https://br.hbomax.tv/movie/TTL612335/It-A-Coisa eu gosto da atmosfera de suspense que geram. It tem protagonistas sólidos e um roteiro diferente. O clube dos perdedores é muito divertido e acho que os atores são muito talentosos. Já quero ver a segunda parte.

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